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Epidemia afeta 80% de bares e restaurantes, diz Abrasel


Cerca de quatro em cada cinco empresas do setor de bares, restaurantes e similares do Rio Grande do Norte registraram afastamento de funcionários em razão de infecções gripais ou de contaminação pela covid-19, entre dezembro de 2021 e janeiro de 2022. Os dados são de uma pesquisa da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) e indicam que 82% dos estabelecimentos voltados ao segmento tiveram baixa no quadro de funcionários no período de 30 dias anteriores ao estudo (realizado entre dias 15 e 27 de janeiro deste ano).

Ainda segundo a pesquisa, entre as as empresas com registro de baixa, a média foi de um funcionário afastado por covid a cada quatro trabalhadores. No restaurante Tábua de Carne, que possui duas unidades na capital, a quantidade de profissionais que precisaram se ausentar do trabalho por causa de síndromes respiratórias chegou a 15%, de acordo com o proprietário, Luiz Segundo.


“Aqui os afastamentos ocorreram muito mais em função de gripe. A situação ficou mais complicada entre o final de dezembro de 2021 e a segunda quinzena de janeiro deste ano. Agora, as coisas estão mais calmas. No caso da covid, a situação foi um pouco mais tranquila. Tivemos apenas dois casos”, relata Segundo. O Tábua de Carne possui 140 funcionários, divididos nas duas unidades da capital (uma em Ponta Negra e outra na Via Costeira).

Apesar da situação classificada como 'mais calma', Luiz Segundo conta que cerca de 3% dos funcionários estão afastados atualmente. Para driblar as dificuldades causadas pela baixa no grupo de funcionários, o restaurante adotou ações como remanejamento de horários e mudanças na própria logística para otimizar o tempo da equipe.

Já na tapiocaria onde o chef Francisco Júnior Alves trabalha, em Ponta Negra, o cenário foi de tranquilidade nos últimos meses. Na Casa do Cangaço, local de atuação do chef, nenhum dos 34 funcionários recebeu diagnóstico positivo para as duas doenças.

Casa do Cangaço, do chef Francisco Júnior, atravessou a epidemia sem afastamentos

“Não tivemos nenhum registro de afastamento por gripe ou covid nos últimos meses. Isso é bom, porque a gente consegue manter o funcionamento do local dentro da normalidade. Acreditamos que tudo tem funcionado bem porque todos os funcionários estão vacinados, usam máscara, álcool em gel. Ou seja, o que precisa ser feito para a nossa proteção, tem sido feito”, relata Alves.

Para Max Fonseca, um dos conselheiro nacionais da Abrasel no Rio Grande do Norte, os momentos mais críticos do cenário de baixas já passou. Ele acredita que situações como as relatadas pelas quais o restaurante Tábua de Carne teve de lidar, ficaram para trás e que a tendência é de cenários mais parecidos com aquele relatado pela Casa do Cangaço.

“A gente pode dizer que o pior já passou, pelo menos, aqui no RN. O surto mais forte da gripe e da covid pode ser considerado mais controlado. As pessoas estão vacinadas e tomando os cuidados necessários. Avalio que, essa semana ainda, devemos ter algum crescimento, mas, depois disso, a perspectiva é de melhora”, afirma Fonseca.

Fecomércio expressa preocupação

A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Rio Grande do Norte (Fecomércio/RN) afirmou nesta semana acompanhar a situação de empresas com preocupação e disse que os relatos de impactos sobre as atividades comercias não são exceção.

“Estamos acompanhando com preocupação o aumento dos afastamentos de funcionários em virtude do crescimento dos casos de covid e Influenza. Nas últimas semanas, temos diversos relatos de empresas com redução da capacidade de atendimento. É raro observar algum empreendedor ou entidade que não tenha tido algum nível de impacto”, informou a Federação. Os efeitos, segundo a entidade, podem ser notados no faturamento das empresas.

“Essa redução da capacidade de atendimento se reflete diretamente no faturamento. Além disso, pelo contexto, temos percebido uma maior cautela das pessoas em sair de casa e há a diminuição da circulação no comércio como um todo, bem como nos bares e restaurantes”, explicou a Fecomércio/RN.

A Federação fez críticas à medida do Ministério do Trabalho e da Previdência, que permite aos trabalhadores com sintomas de covid-19 ou com diagnóstico confirmado para a doença, se afastarem sem a necessidade de apresentar atestado médico (desde que o afastamento seja inferior a 10 dias).

“Temos acompanhando nas últimas semanas os médicos passando entre 5 e 7 dias de afastamento para nova avaliação. E, mesmo assim, os impactos são significativos para a operação das empresas e organizações. Estamos em contato com a CNC, a fim de verificar o posicionamento que a entidade vai tomar diante do Governo Federal. Essa portaria tem trazido bastante preocupação por nivelar todos os afastamentos em 10 dias, medida que discordamos”, esclareceu a Fecomércio.

Empresas tiveram lucro em dezembro

Além das informações sobre o número de empresas afetadas pelo afastamento de funcionários por gripe ou covid-19, a pesquisa da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) também revelou que, no Rio Grande do Norte, 40% das empresas do setor de bares, restaurantes e similares, operaram com lucro em dezembro de 2021. O índice é mais do que o dobro entre as que registraram prejuízos (18%).

Max Fonseca, da Abrasel, vibra com os dados consolidados pela pesquisa. “A notícia, a princípio, é excelente. Mas, mesmo que haja comemoração no setor, a gente deixa claro que há uma gama expressiva operando no prejuízo. A gente não pode esquecer que, muito do que aconteceu lá trás, ainda reflete”, comenta.

O conselheiro da Abrasel avalia que as empresas deverão demorar de dois a cinco anos com operações no azul para que seja possível fazer frente às perdas acumuladas até aqui. “A queda nas vendas, a diminuição do número de clientes.. tudo gera prejuízos e impactos. Mesmo as [empresas] que já estão operando no verde, vão enfrentar um período muito duro ainda pela frente”, analisa.

De acordo com Luiz Segundo, do restaurante Tábua de Carne, dezembro de 2021 foi o melhor mês do ano em termos de lucro para a empresa. “Tivemos aumento de fluxo de clientes, que buscaram fazer novamente confraternizações presenciais de final de ano. Então, conseguimos ter lucro. Mas é claro que se não tivéssemos os casos de gripe ou de covid em aumento, nossa situação seria melhor, porque muita gente ainda fica receoso de ir a um restaurante”, pontua.

A pesquisa da Abrasel apontou, também, que 42% dos bares, restaurantes e similares do RN operaram com as contas em equilíbrio em dezembro de 2021. No acumulado do ano, 37% das empresas disseram ter prejuízo contra 30% que tiveram lucro e 33% que tiveram o caixa em em equilíbrio. Além disso, 65% tiveram lucro melhor em dezembro de 2021, se comparado ao mesmo mês de 2020.

Dívidas

Segundo a pesquisa da Abrasel, de um total de 87% das empresas que responderam se enquadrar no regime Simples – de arrecadação, fiscalização e cobrança de tributos – quase metade, (44%) revelou dívidas em atraso. Destas, 34% estão com débitos inscritos na dívida ativa da União e conseguiram parcelar, de algum modo, as contas.

Além disso, 36% dos negócios contraíram empréstimos do Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pronampe). Destes, 19% estão com parcelas em atraso e, 21% dos que contrataram o empréstimo dizem correr o risco de quebrar em função do aumento na taxa de juros da Selic.

Segundo Max Fonseca, os dados são o motivo pelo qual é preciso lembrar de que os reflexos da pandemia devem durar pelos próximos anos. “Com a queda no faturamento e o fechamento das empresas, os negócios passaram a operar no prejuízo. Isso fez com que deixassem de pagar impostos e de honrar compromissos – mesmo compromissos novos, como as empresas que buscaram uma melhoria no fluxo de caixa através do Pronampe ou de outras linhas de crédito”, explica.