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Cerveja Potiguar é nova atração turística no RN


Nem só de sol e mar vive o turismo do Rio Grande do Norte. A Rota da Cerveja Potiguar se apresenta como uma alternativa de turismo de experiência e propõe um passeio de visitação a 13 cervejarias artesanais espalhadas por cinco municípios do Estado. O projeto, lançado no fim do ano passado, é uma iniciativa do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae/RN), criado para fomentar a venda dos produtos, ampliar a lucratividade dos pequenos empreendimentos e estimular a interiorização do turismo.

Conheça as 13 cervejarias artesanais do RNIntegram a rota as cervejarias 1920, Armorial, Black Sheep, Hopmundi, Mall e Raffe em Natal; Benedita’s Beer e Cervejaria Holanda em Parnamirim; Brejo Beer na cidade de Brejinho; Elétrica Cerveja em Pau dos Ferros; e as cervejarias Bacurim, Cabocla e Nordestina em Mossoró. Ao visitar uma das fábricas ou sedes das empresas, o cliente recebe uma espécie de passaporte, que é carimbado conforme o interessado vai conhecendo as cervejarias. A ideia também é aproximar comercialmente os integrantes da Rota da Cerveja para que o segmento siga em crescimento.

“A ideia é fazer a aproximação dessas micro e pequenas cervejarias com o mercado do turismo. A gente já observa isso em outros estados, especialmente da região Sudeste e Sul, esse movimento em torno da cerveja, em torno da cultura cervejeira. Em função do trabalho desenvolvido junto com um colega da indústria de alimentos, foi feito um trabalho para fazer essa união com um mercado do turismo e com isso nós elaboramos um catálogo das cervejas”, explica o gestor do Projeto de Turismo do Sebrae, Yves Guerra.

Qualquer pessoa maior de 18 anos pode participar da Rota da Cerveja Potiguar. Não há uma ordem preestabelecida de visitação, cabe ao próprio cervejeiro traçar seu roteiro pelas 13 cervejarias da maneira que julgar mais conveniente. Cada uma das cervejarias possui seu próprio catálogo, o que confere uma grande variedade de estilos, rótulos, sabores, aromas, colorações e níveis de intensidade e amargor. Os preços variam tanto de cervejaria para cervejaria quanto de rótulo para rótulo. Os valores ficam entre R$ 8 e R$ 50 (chope, long neck, garrafa de 600 ml ou unidade de um litro).

A diversidade é fruto da criatividade dos produtores, que adicionam diferentes ingredientes à base da cerveja, composta pela união do lúpulo, malte, água e leveduras. É justamente a manipulação desses ingredientes que diferencia as cervejas artesanais das produzidas em escala industrial. Alguns rótulos artesanais produzidos no Rio Grande do Norte levam pimenta, gengibre, melado de cana, trigo, rapadura, café, chocolate, caramelo, goiaba, seriguela, maracujá, manga, cajá, caju, melão, laranja e limão. Um dos destaques é a cerveja feita com cumaru, semente conhecida como a baunilha brasileira, que promete um sabor diferente a cada gole, uma vez que a cerveja libera novos aromas conforme vai aquecendo.

Uma característica comum das cervejarias artesanais é o início como hobby, que logo é profissionalizado. Foi assim na Raffe, uma das mais antigas do Estado, que começou a produzir os primeiros rótulos em 2017 e foi crescendo diante da aceitação do público e divulgação boca a boca. Recentemente, buscando expansão do negócio, a Raffe abriu um covil dentro da Arena das Dunas. Destaque para a queridinha do público Galega do Alecrim, uma cerveja leve, clara e refrescante, que homenageia um dos bairros mais famosos da capital potiguar.

No ambiente funciona o bar da cervejaria com oito chopes principais, de quarta a sábado, além da própria fábrica, onde os clientes podem fazer um tour para conhecer o processo de produção. “Era uma coisa muito nova em Natal na época e o boca a boca começou a funcionar. Começou a ter demanda e a gente começou a investir para aumentar a produção e hoje nosso principal negócio é fabricar e distribuir a cerveja. A gente distribui para bares, restaurantes, lojas de conveniência, supermercados, mas a gente também tem dois bares”, comenta Fernando Nóbrega, sócio-fundador da Raffe.

Outra integrante do roteiro cervejeiro potiguar é a Bacurim, localizada na cidade de Mossoró, capital da região Oeste do Rio Grande do Norte. A cervejaria, que se profissionalizou em 2018, com a inauguração do bar da fábrica, tem como principal característica a produção com a cara da região, a partir da utilização de frutas, ervas e especiarias do Oeste potiguar. O carro-chefe é a Belgian Dubbel, uma adaptação das cervejas belgas de abadia, que substitui o açúcar europeu pela rapadura nordestina em sua fórmula.

“Temos rótulos onde usamos também o maracujá, a semente da aroeira, que é a pimenta rosa, além disso também temos uma cerveja escura que leva uma erva bem conhecida nossa que é a erva cidreira. Temos para todos os gostos. A gente começou de forma bem artesanal em casa mesmo em 2014 e em 2016 nós conseguimos a certificação junto ao Mapa [Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento] e a história evoluiu de um jeito que em 2018 a gente já precisou se mudar para um ambiente maior. Hoje nós temos uma demanda considerável porque abastecemos Natal, Mossoró, algumas cidades da região, Paraíba e Ceará”, conta Gilberto Carvalho, sócio da Bacurim.

Iniciativa ajuda a alavancar setor

De acordo com os idealizadores da rota, a iniciativa ajudou a aproximar os próprios produtores, que mantêm contato entre si. “A gente costuma dizer que não há concorrência, é mais uma parceria mesmo. Isso acaba alavancando ainda mais o nosso segmento. Às vezes até acontece de emprestarmos insumos porque alguns deles são importados e demoram a chegar”, conta Lucas Pires, gerente da Raffe. “Isso é muito positivo porque a gente acaba trocando figurinhas, trocando ideias, experimentos. Nosso estado tem um potencial gigantesco e quanto diversificarmos o turismo, melhor”, acrescenta Gilberto Carvalho, da Bacurim.

A Rota da Cerveja Potiguar é uma ação coordenada pela Unidade de Desenvolvimento Setorial do Sebrae/RN, através do Setorial da Indústria de Alimentos e Bebidas e de Turismo, que, para estruturação do roteiro, está orientando os agentes e o mercado do turismo, especialmente as empresas que atuam no receptivo, a integrar em seus serviços e roteiros às cervejarias. Participam da ação as cervejarias atendidas pelo Sebrae e que possuem o registro no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

A rota também se estende para o interior do Estado. É lá onde ficam a Brejo Beer, na cidade de Brejinho, Agreste potiguar, e a Elétrica Cervejaria, localizada em Pau dos Ferros. A Elétrica, inclusive, é a primeira cervejaria artesanal do Alto Oeste do Rio Grande do Norte, que nasce a partir da junção de duas paixões da proprietária: cerveja e engenharia. Nos rótulos estão referências a nomes conhecidos da ciência, como o engenheiro eletrotécnico Nikola Tesla e o físico Albert Einstein, além de curiosidades e conhecimentos relacionados ao universo da tecnologia.

“Essa rota vem ajudar a difundir a cerveja no Estado e para dizer mesmo que aqui temos produção de qualidade e que cerveja não é só aquela que a gente compra no supermercado. Existe uma infinidade de sabores, de aromas, dá para incrementar, utilizar frutas, uma que vez que nosso estado é muito rico nisso, com muitas frutas cítricas. Dá para brincar muito com isso. A rota também proporciona isso de colocar que a cerveja artesanal não está só na capital, existe também produção em regiões afastadas de Natal. Tudo isso movimenta nossa atividade turística”, afirma Justina Carvalho, criadora da Elétrica.

A integração com turismo é uma forte tendência e é vista com entusiasmo pelos segmentos. Dados do 2º Censo Cervejarias Independentes, feito pelo Sebrae em parceria com a Associação Brasileira da Cerveja Artesanal (Abracerva) indicam que a tendência de integrar cervejarias ao turismo já atinge quase 50% dos empreendimentos do setor. Por esse motivo, detalha Yves Guerra, o Rio Grande do Norte está propondo a criação desse roteiro como forma de aquecer as vendas das cervejas artesanais e, ao mesmo tempo, criar um atrativo turístico com a visita dos empreendimentos instalados em regiões urbanas e rurais do estado.

“Já estão surgindo até mais [cervejarias] e a ideia é a gente sempre fazer uma atualização da rota, incluindo mais empresas. Criamos também o passaporte da cerveja, que é uma brincadeira, o cliente vai na cervejaria, consome e ganha um carimbo, tudo isso para estimular a adesão à rota, sendo que algumas oferecem descontos, brindes, e por aí vai. São empresas e empreendedores jovens, que nasceram por volta de 2016, 2017, e isso contribui para a renovação e movimentação da atividade turística”, acrescenta Guerra.

O diretor técnico do Sebrae/RN, João Hélio Cavalcanti, pontua que a estratégia das cervejarias artesanais integradas aos roteiros turísticos é o pontapé inicial para a efetiva interiorização do turismo no Rio Grande do Norte. “Essa iniciativa inovadora vai no movimento do Geoparque Seridó e tantos outros destinos com potencial para integrar essa rota, que certamente trará grandes benefícios ao turismo do RN e às próprias cervejarias artesanais”, avalia o diretor.

MDR tem 11 Rotas de Integração

No início deste mês, o Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR) reconheceu novos polos potiguares dentro do projeto Rotas de Integração Nacional. Foram reconhecidas as rotas da Moda, instituída no ano passado em Caicó, e do Leite, que vai reunir 49 produtores de queijo do Estado.

Além disso, foram regularizadas duas rotas que já estavam em funcionamento: a do Cordeiro, que abrange criadores de 19 cidades, e a do Mel de Jandaíra, que reúne 11 apicultores do município.

A regularização significa que a instituição das unidades foi adequada para preencher os requisitos previstos na Portaria n. 299/2022, documento que regulamenta a Estratégia Rotas de Integração Nacional. Atualmente, são 11 rotas: Biodiversidade; Economia Circular; Fruticultura; Teconologia da Informação e Comunicação (TIC); Açaí; Cacau; Cordeiro, Leite; Mel, e Pescado.

A Rota da Cerveja é desvinculada do MDR e foi idealizada com recursos do Sebrae/RN. As rotas de Integração Nacional são redes de arranjos produtivos locais associadas a cadeias produtivas estratégicas capazes de promover a inclusão produtiva e o desenvolvimento sustentável de regiões brasileiras.

No âmbito da Rota da Moda e com o objetivo de fortalecer o arranjo produtivo do setor no Rio Grande do Norte, o MDR destinou R$ 19,7 milhões na construção e implantação da Cidade da Moda em Acari. O espaço será um centro de educação, produção, comercialização e eventos da indústria de vestuário da região, com potencial para beneficiar 3 mil pessoas diretamente. Já na cidade de Parelhas, R$ 10 milhões serão aplicados na construção de um galpão industrial, compra de máquinas e implantação de unidade de corte têxtil no município.