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RN vai iniciar mapeamento do potencial eólico offshore do País


O Rio Grande do Norte será palco para o mapeamento do potencial da produção offshore para energia eólica de todo o Brasil. O projeto terá duração de dois anos e prevê investimento de R$ 5 milhões para identificação das áreas mais promissoras à implantação de parques eólicos na Margem Equatorial Brasileira.

Diretor do ISI-ER, Rodrigo Mello: “Potencial produtivo”

O projeto será tocado pelo Instituto SENAI de Inovação em Energias Renováveis (ISI-ER), com sede em em Natal, e terá duração de dois anos. O estudo é para A identificação das áreas mais promissoras à implantação de parques eólicos na Margem Equatorial Brasileira.

A região abrange seis estados, incluindo o Rio Grande do Norte, onde equipamentos de medição serão instalados nas regiões de Areia Branca e Touros. O estado lidera a geração de energia eólica em terra no país e é um dos que mais têm investimentos programados, inclusive no offshore, com os primeiros projetos à espera de licenciamento.

Formalizado no final de dezembro, o convênio com o MCTI foi detalhado nesta terça-feira (04) pelo Instituto.

A área total inserida no levantamento corresponde a 38,6% do litoral brasileiro e também inclui os estados do Ceará, Piauí, Maranhão, Pará e Amapá.

O projeto prevê a identificação das melhores áreas de potencial eólico para fomentar o desenvolvimento de projetos de usinas e, além disso, auxiliar os fabricantes de equipamentos a dimensionarem aerogeradores, torres e fundações adequados ao perfil de vento do país.

Os trabalhos incluem medições de velocidade e direção dos ventos em pontos estratégicos e o mapeamento de áreas para projetos eólicos offshore. A liberação de recursos para o desenvolvimento das atividades é fruto de articulação realizada em 2021 pelos senadores da República Jean-Paul Prates, Davi Alcolumbre e Marcio Bittar.

Segundo o ISI-ER, referência do SENAI no Brasil em Pesquisa, Desenvolvimento & Inovação (PD&I) em energia eólica, solar e sustentabilidade, o projeto ajuda a consolidar estudos concluídos e em curso sobre o offshore em áreas que já são grandes polos de investimentos do setor em terra no país - como o RN e o Ceará -, mas também contribui para suprir o vazio de dados que existe sobre o potencial de geração especialmente na região Norte.

“O RN será o maior produtor de energia do Brasil. Isso está nas evidências e nos estudos já realizados, inclusive a respeito do potencial offshore, que é imenso. O fato do nosso ISI-ER capitanear esses estudos mostra que o país está de olho no que está acontecendo aqui em termos não somente de produção, mas também de tecnologia para o setor. Detemos o principal HUB de Tecnologia e Inovação quando o assunto é energias renováveis”, destaca Amaro Sales, presidente do Sistema FIERN, que engloba SENAI, SESI, IEL e Federação das Indústrias do estado (FIERN).

Resultados devem formar novo atlas
A expectativa é que as estações de medição do projeto sejam instaladas ainda no primeiro semestre de 2022 e que os resultados sejam reunidos em um Atlas. O offshore é objeto de pesquisas do SENAI-RN há mais de 10 anos e, para investidores dessa indústria, começa a despontar com força como possibilidade de negócio.

“A gente está construindo um pacote de informações que ajuda na captação de investimentos, que mostra com clareza qual é o potencial produtivo da região. E o inusitado do projeto é que trata de uma fronteira completa do Brasil com números reais e não estimativas, com dados medidos e não ensaiados”, diz o diretor do ISI-ER, Rodrigo Mello.

Antônio Medeiros, coordenador de P&D do Instituto, observa que a área que será mapeada já é considerada de interesse estratégico para o Brasil na exploração de petróleo e a inserção de novas fontes renováveis de energia pode levar mais oportunidades de investimentos e de desenvolvimento sustentável para os estados envolvidos.

“É um trabalho que tem como potenciais benefícios a diversificação da matriz energética, a garantia de fornecimento de energia com fontes limpas, a possibilidade de combinar a exploração de petróleo com alimentação elétrica de aerogeradores - ajudando não só a suprir o desenvolvimento da área, mas também a mitigar os efeitos dessas atividades em um momento em que todas as empresas de petróleo do mundo buscam fazer descarbonização dos seus processos”, observa o pesquisador.

A avaliação de variáveis meteorológicas e energéticas especialmente na região Norte, segundo ele, é fundamental. “Porque é uma região de muito interesse para o mundo inteiro e as pessoas precisam saber o que pode ser desenvolvido”.

No Amapá, serão instaladas estações nas localidades de Oiapoque, Goiabal, Ferreira Gomes, Macapá, Santana, Laranjal do Jari e Estação de Maracá-Jipioca.