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Cresce busca por vacina em clínicas em Natal


A falta de vacinas contra a gripe na rede pública de saúde de Natal e Região Metropolitana, diante do surto da doença, vem provocando uma corrida pelo imunizante nas clínicas privadas da capital. Na AMI Vacinas, localizada no entorno da Árvore de Mirassol, as aplicações das vacinas antigripe cresceram 900% na última semana: passaram de 30 para cerca de 300 doses por dia. Na rede particular, os valores da vacina variam de R$ 50 a R$ 90, conforme apurou a TRIBUNA DO NORTE. De acordo com a Secretaria de Estado de Saúde Pública do Rio Grande do Norte (Sesap), são poucos os municípios que ainda dispõem de doses. 

Clínicas particulares projetam que os estoques de vacina contra a gripe durem por mais uma semana somente, por conta do aumento da procura pelo imunizante

O corretor de imóveis Adenilson Silva, de 51 anos, foi uma das pessoas que recorreu às clínicas privadas para garantir um fim de ano mais tranquilo. Ele procurava o imunizante na rede pública desde segunda-feira e conseguiu se vacinar ontem (30). “Eu moro no [Conjunto Cidade] Satélite e passei a semana todinha procurando e nada, fui no Pitimbu também e não consegui. Fui hoje (ontem) logo cedo também e não tinha. O jeito foi vir aqui, mas foi muito bom, rápido e prático”, comenta.

Ele acrescenta ainda que após ter se infectado com a covid-19, o medo de adoecer novamente aumentou. “Essa gripe eu não tive, mas eu tive covid, fiquei internado por 25 dias e as sequelas físicas e psicológicas foram muito grandes. Agora eu tô bem, mas a gente sempre tem medo, né? Ainda por conta da covid eu fiquei com 50% do pulmão comprometido, então é melhor não facilitar e se prevenir. Quem puder se vacine também porque só assim para a gente ter um ano novo tranquilo”, diz Adenilson.

Com a grande procura pelos imunizantes pagos, a expectativa é de que os estoques das clínicas durem por mais uma semana, conta a gerente de enfermagem da unidade de Mirassol da AMI, Kátia Mary. “A gente tinha uma rotina normal. A época sazonal mesmo é entre março e junho, que é quando chega vacina, que tem um movimento muito grande na clínica. Depois fica estável com uma média de 30 aplicações da gripe por dia, mas nos últimos cinco dias nós tivemos essa procura muito grande, chegando a aplicar 250, 280, até 300 doses por dia”, detalha.

Na Vacina Clínica de Imunização, que fica em um centro comercial no bairro de Lagoa Nova, a técnica de enfermagem Letícia Martins afirma que a crescente inesperada na procura vem alterando até mesmo a rotina dos trabalhadores da unidade. Há uma semana, as aplicações das doses da gripe eram pontuais, cerca de uma por dia. Agora, após o surto de H3N2, que tem lotado as unidades de saúde, aproximadamente 60 pessoas passam pela unidade todos os dias para tomar a dose antigripal.

“Está acabando muito rápido. A gente tem uma câmara fria lá em cima, que sempre que vai diminuindo a gente precisa repor e estamos fazendo isso umas cinco vezes para pegar mais doses e trazer aqui para baixo. Acredito que até semana que vem vai acabar tudo ou antes porque as pessoas estão buscando muito para se proteger nesse fim de ano. Esse surto aí veio de surpresa e como a situação está difícil nos postos, elas têm buscado as vacinas aqui”, reforça a profissional.

Quem também desistiu de buscar a vacina nas unidades públicas foi o natalense Edmílson Corrêa, de 56 anos. “Desde ontem que eu tô procurando essa vacina e não acho em canto nenhum. Vi aqui essa clínica e vim aqui saber quanto é pra vacinar eu e meu filho. A gente tem que se prevenir porque muito gente está adoecendo e as UPAs estão lotadas. No ano passado eu tomei a da gripe e a da covid também já tomei, falta só essa da gripe agora em 2021”, diz.

A alta busca pelo imunizante na rede privada em Natal segue uma tendência nacional, após o surto de gripe que caminha para uma epidemia da doença em alguns estados do país, como a que já acontece em São Paulo e Rio de Janeiro. Segundo informações da Associação Brasileira das Clínicas de Vacina (ABCVAC), entidade que congrega aproximadamente 500 clínicas associadas em todo o Brasil, a procura triplicou desde o início do mês.

As doses administradas na rede privada são as quadrivalentes, que protegem contra as influenzas A e B. Segundo a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), existem três tipos do vírus Influenza (gripe) circulando no Brasil: A, B e C. O tipo C causa apenas infecções respiratórias brandas e não possui impacto na Saúde Pública.

Já os vírus da Influenza A e B são responsáveis por epidemias sazonais, sendo o vírus Influenza A responsável pelas pandemias que ocorrem de tempos em tempos, principalmente durante os períodos mais frios e chuvosos. O tipo A da influenza é classificado em subtipos, como o A(H1N1) e o A(H3N2). Já o tipo B é dividido em duas linhagens: Victoria e Yamagata.

A cepa H3N2, batizada de Darwin, foi recém-descoberta na Austrália e é a responsável pelo incremento no número de casos no Rio Grande do Norte, que segue uma tendência nacional. Embora possuam diferenças genéticas, todos os tipos podem provocar sintomas parecidos, como febre alta, tosse, garganta inflamada, dores de cabeça, no corpo e nas articulações, calafrios e fadigas.

Cresce busca por medicamentos nas farmácias
O surto de influenza também fez aumentar o movimento nas farmácias da capital. Em uma delas, localizada na Avenida Prudente de Morais, a procura por medicamentos antigripais cresceu 80% na última semana. “Aumentou demais mesmo. Muita gente já chega com receita aqui encaminhado do médico porque as unidades estão cheias e outras chegam e pedem indicações de remédios para febre, dor, tosse. A procura é tanta que a gente já tem até problemas de abastecimento com os fornecedores”, detalha Renata Lopes, gerente da unidade.

O aumento repentino dos casos de gripe esgotou também o estoque de Tamiflu na unidade da farmácia. O antiviral (fosfato de oseltamivir) age impedindo a multiplicação e bloqueando as ações dos vírus da gripe influenza A e B, incluindo o subgrupo A(H1N1).

Novas remessas

Na quinta-feira (30), a Secretaria de Estado de Saúde Pública do Rio Grande do Norte (Sesap) informou à TRIBUNA DO NORTE que solicitou um novo lote de 200 mil doses da vacina contra a gripe ao Ministério da Saúde, mas ainda não há sinalização do governo federal de quando os imunizantes chegarão ao RN.

“A Sesap solicitou, através de ofício, ao Ministério da Saúde envio imediato de doses contra a Influenza. No entanto, o Ministério não respondeu à solicitação, o que está impactando na falta dos imunizantes em quase todos os municípios do Rio Grande do Norte. A Sesap reforça a importância da vacinação, diante do surto de gripe, e aguarda o envio das doses o mais rápido possível ao estado para dar continuidade à campanha de imunização”, disse a pasta em comunicado à imprensa.

Além disso, Sesap e Conselho de Secretarias Municipais de Saúde do RN (Cosems) orientam que os municípios que ainda possuam imunizantes contra a gripe “devem priorizar os grupos como idosos, crianças de seis meses até cinco anos e pessoas imunossuprimidos”.