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Ex-presidente Lula: “Fátima Bezerra é uma das melhores governantes do país”


Em visita de articulação no Nordeste, Lula chega ao Rio Grande do Norte para encontros com o PT e partidos aliados; conversa com MDB de Garibaldi Filho e afirma que o País está isolado do mundo por causa de Bolsonaro, mas reforça que não há espaço para golpe militar no Brasil 

Em entrevista exclusiva ao Agora RN, o ex-presidente Lula falou sobre a situação nacional, alianças políticas, respondeu sobre soberba e disse que o eleitorado vai entender as dificuldades de Fátima.

PERGUNTA – Presidente, o senhor acredita que há espaço hoje no Brasil para um golpe militar a ser protagonizado pelo presidente Bolsonaro?

Lula – Eu acho que nem no Brasil, nem no mundo, faz o menor sentido discutir ou pensar em algo assim. Não há espaço nenhum. O Brasil já está isolado do mundo por causa do Bolsonaro, com uma imagem péssima no exterior, e algo assim só aumentaria a falta de perspectiva de futuro, o isolamento do país, o desemprego, o alto preço dos combustíveis e alimentos que causaram a volta da fome no nosso país. O Bolsonaro está desesperado e ao invés de governar, de cuidar dos problemas e do país, porque ele é incapaz de fazer isso, fica divulgando mentiras, inventando problemas e arrumando confusão, que são as especialidades dele.

PERGUNTA – A aliança com o MDB Nacional está cada vez mais perto de sua formalização. O partido deverá indicar seu vice?

Lula – Eu nem decidi se vou ser candidato, o que só devo fazer no fim desse ano ou começo do ano que vem, então não tem hoje nenhuma discussão sobre vice. Já inventaram na imprensa mais de dez vices para mim, acho que já estão em uns 16 vices, uns 10 ministros da Fazenda, uns cinco coordenadores de campanha e não tem nada disso hoje. E não estamos discutindo ainda formalização de aliança com outros partidos. Eu não discuti com o MDB nacional nenhuma aliança, e acho que alguns partidos, que não tem a identidade nacional que o PT tem, vão ter muita dificuldade de ter a mesma posição em todos os estados do país sobre a eleição para presidente, porque muitos partidos são mais cooperativas de deputados que propriamente partidos. E eu não estou conversando com outras forças políticas sobre alianças. Estamos conversando sobre a situação grave que o Brasil vive hoje, sobre a necessidade de se defender a democracia, de se combater a fome. E não estou conversando só com quem concorda comigo ou só com quem estará com o PT em 2022. Estou conversando porque acho importante as pessoas retomarem o diálogo nesse país, inclusive entre aqueles que pensam diferente, retomar uma prática civilizada das pessoas conversarem e aprenderem umas com as outras.

PERGUNTA – O que o senhor acha do ex-senador Garibaldi Filho, que foi ministro no Governo do PT, ser o candidato a vice-governador na chapa da governadora Fátima Bezerra?

Lula – Garibaldi é um político experiente, foi governador, senador, ministro da Dilma. A Fátima tem um vice hoje, o Antenor Roberto, e a discussão de como a Fátima irá disputar a reeleição é um debate dela, do PT do Rio Grande do Norte e dos partidos que compõem a base do governo dela. Eu estou no Rio Grande do Norte também para ouvir e saber mais da situação política e social no estado.

PERGUNTA – As pesquisas recentes mostram que o senhor está com quase o dobro das intenções de votos de Fátima no RN. O que o senhor pensa em fazer para convencer seu eleitorado a votar em Fátima?

Lula – A Fátima pegou o governo do Rio Grande do Norte em uma situação muito difícil, com quatro folhas de pagamento do funcionalismo atrasada. Tem as dificuldades de governar com Bolsonaro na presidência, discriminando todo o Nordeste, brigando com os governadores do país inteiro o tempo todo. E teve a pandemia, o Covid, com um impacto imenso no mundo e na economia. E, mesmo nesse cenário difícil, ela vem desde o primeiro dia lutando, como guerreira que é, para colocar a situação do governo estadual em ordem, enfrentar a pandemia e melhorar a vida do povo. Eu acho que conforme o governo e o partido forem explicando isso para a população, e ela for compreendendo tudo que tem sido feito, eles vão entender que a Fátima é uma das melhores governantes do país, é uma mulher muito forte, porque pegar o estado na situação que ela pegou, com uma oposição feroz, e ir colocando as coisas em dia, em meio a pandemia do coronavírus, é um feito extraordinário. Ela está resolvendo, em meio a uma grave crise, problemas que outros governadores criaram quando não tinha crise. O povo vai entender isso.

PERGUNTA – Em recente evento em Recife, o senhor afirmou, “quando eu ganhar” a eleição. O senhor não teme que a soberba possa atrapalhar e o salto alto possa prejudicar sua campanha? Afinal, ninguém ganha ou perde de véspera.

Lula – Eu já disputei cinco eleições presidenciais, eu tenho um pouco de experiência nesse assunto. Em todas as eleições presidenciais da Nova República, desde 1989, foram oito eleições, e o PT foi ou o primeiro ou o segundo colocado em todas elas. E o que eu estava falando era justamente isso, sobre a possibilidade de ganhar a eleição, do que fazer, caso seja candidato e ganhe a eleição, quando voltar ao governo. Eu já fui presidente duas vezes e quando assumi, em 2003, o Brasil vinha de uma situação difícil: desemprego alto, falta de energia, nenhuma reserva internacional, devíamos para o FMI. E nós, junto com a sociedade brasileira, com muito trabalho e governando para todos, mas com mais atenção a quem precisava mais, conseguimos colocar o Brasil no seu melhor momento da história. Com as pessoas comendo três refeições ao dia, tendo emprego, oportunidade de o jovem estudar, a melhor imagem do Brasil no exterior em sua história, muita esperança e projetos para o futuro. O golpe contra a Dilma e o Bolsonaro tem demolido tudo isso. E o Brasil precisa agora retomar um projeto de desenvolvimento e de carinho com as pessoas, o Brasil precisa recuperar o seu caminho para o futuro. As pessoas precisam de emprego, paz e comida, não das fake news, do coronavírus e das armas que o Bolsonaro distribui pelo país. Então, se eu decidir ser candidato, quando eu decidir, vou fazer isso sem salto alto e com muita responsabilidade com o futuro dos brasileiros, porque eu sei que a gente precisa parar esse governo de destruição, fogo e morte do Bolsonaro. E se eu voltar para a presidência, tenho obrigação, comigo mesmo e com o povo brasileiro, de ser um presidente melhor do que eu fui nos meus mandatos anteriores, melhorar a vida do povo brasileiro, para esse país voltar a ser feliz e as pessoas viverem em paz.