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São Gonçalo do Amarante fica entre as 10 cidades mais violentas do país em 2020, aponta Anuário


Dados são do Anuário da Segurança Pública 2021, lançado nesta quinta-feira (15). Estado é o sexto com maior taxa de mortes por 100 mil habitantes no país

Localizada na região metropolitana de Natal, São Gonçalo do Amarante foi uma das 10 cidades mais violentas do país ao longo do ano de 2020, de acordo com dados do Anuário da Segurança Pública, lançado nesta quinta-feira (15) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

O Anuário também apontou que o Rio Grande do Norte voltou a apresentar aumento no número de mortes violentas, após dois anos de baixas. Os crimes letais intencionais tiveram crescimento de 5,5%. No caso dos homicídios, o crescimento foi de 13%.

O levantamento sobre as cidades com mais de 100 mil habitantes que tiveram taxa de mortes superior a média nacional deixou São Gonçalo do Amarante na 9ª colocação entre as 10 mais violentas do país, com taxa de 71,4.

Segundo o IBGE, o município tem pouco mais de 103,4 mil habitantes. Já o Anuário apontou que a cidade registrou 74 mortes violentas ao longo do ano.

São casos como o assassinato do pintor Otávio Pereira Campelo, de apenas 18 anos, que aconteceu na zona rural do município em junho do ano passado. Ele caminhava pela rua de casa depois de ter ido a uma mercearia, no distrito Chã do Moreno, quando foi seguido e sofreu diversos disparos de arma de fogo.

Otávio Pereira Campelo tinha 18 anos — Foto: Cedida

No Rio Grande do Norte, outros três municípios também aparecem na lista de cidades com taxas superiores à média nacional. As cidades foram: Mossoró (62,2), Natal (27,5) e Parnamirim (26,2).

Seguindo o mesmo princípio da taxa de mortalidade por 100 mil habitantes, o Rio Grande do Norte registrou 38 mortes violentas a cada 100 mil habitantes e foi o sexto estado mais violento do país, atrás do Ceará (45,2), Bahia (44,9), Sergipe (42,6), Amapá (41,7) e Pernambuco (38,3).

A taxa nacional foi de 23,6 mortes para cada 100 mil habitantes.

Todas as 10 cidades mais violentas ficam na região Nordeste.

10 cidades com mais mortes por 100 mil habitantes em 2020

Caucaia (CE) - 98,6
Cabo de Santo Agostinho (PE) - 90
Feira de Santana (BA) - 89,9
Simões Filho (BA) - 89,8
Maranguape (CE) - 79
Maracanaú (CE) - 78,4
Santo Antônio de Jesus (BA) - 76,2
Camaçari (BA) - 75,9
São Gonçalo do Amarante (RN) - 71,4
Nossa Senhora do Socorro (SE) - 68,4

Violência

Após dois anos apresentando baixa no número de mortes violentas, o Rio Grande do Norte voltou a ter aumento no número. Ainda assim, os números continuam bem abaixo de 2017, quando o estado chegou ao pico de mortes violentas na década.

Ao todo, em 2020, foram 1.344 mortes violentas. Em 2017 foram 2.355.
Série histórica de crimes letais intencionais no Rio Grande do Norte
Dados de 2011 a 2020

Mortes violentasTaxa por 100 mil 

2013

Mortes violentas: 1.624 

Os dados levam em consideração vários tipos de mortes, como homicídio, latrocínio (roubo com resultado de morte), lesão corporal seguida de morte, intervenção policial (mortes de suspeitos em troca de tiros com a polícia) entre outros.

Apesar disso, o que mais contribuiu para o crescimento foram os homicídios dolosos, que tiveram aumento superior a 13%, e chegaram a 1.224.

O estado manteve praticamente o mesmo número de latrocínios, passando de 62 para 63 e apresentou queda de mais de 55% nos casos de lesão corporal seguida de morte, nas mortes de policiais e também nos óbitos de suspeitos em intervenções policiais.

O crescimento das mortes coincide com a redução de gastos com a segurança pública no estado. Enquanto em 2019, o estado gastou mais de R$ 1,2 bilhões na área, os investimentos foram de pouco mais de 1 bilhão em 2020. Segundo o Anuário a redução de 13% foi a terceira maior entre os estados brasileiros.

Veja os principais indicadores do relatório em 10 pontos:

Assassinatos em alta: houve um aumento de 13% nos homicídios dolosos; 1.224 mil no total
Mortes violentas intencionais, que envolvem também latrocínio, lesão corporal seguida de morte e intervenção policial, entre outros tiveram crescimento de 5,5% em 2020.

Violência contra a mulher: homicídios caíram -17,3% e feminicídios tiveram redução de 38,6%, mas os estupros aumentaram, principalmente entre vulneráveis. Ao todo, o estado registrou 491 casos em 2020. Houve aumento de 7,5% no número de medidas protetivas concedidas.

Aumento da violência contra população LGBTQIA+: assassinatos e agressões subiram no estado: 25 casos de lesão corporal (+177%); além de 7 homicídios (+75%) e três estupros (+50%)
Violência contra policiais: Número de mortes de policiais vítimas de crimes letais caiu 58%. Foram 5 mortes em 2020.

Mortes decorrentes de operações policiais tiveram queda de 9,3%. Foram 145 casos no ano passado. Natal é a 16ª cidade do país com maior taxa por 100 mil habitantes.

Aumento de armas em circulação: Entre 2017 e 2020 o número de registros de posse de arma quase dobrou, passando de 8.903 para 16.791. Desse total, 8.685 são armas de pessoas físicas. No ano passado, o estado registrou aumento de 111% nos casos de porte e posse ilegal de armas de fogo. Foram 555 casos. Apesar disso, número de apreensões de armas caiu.

Queda no número de pessoas desaparecidas: número caiu mais de 37%. A redução é maior que a nacional.

Superlotação no sistema prisional: estado tem mais presos e déficit de vagas maior. São 10.801 apenados para 7.776 vagas no sistema. Um déficit de 3.025 lugares.

Redução em investimentos: poder público investiu 13% a menos na Segurança Pública do Rio Grande do Norte, na comparação com 2019.

Fonte: Anuário da Segurança Pública

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