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Médico filho de Macau faz história no futebol

Portal MACAUENSE - Uma história de vida que se confunde com a própria história do futebol potiguar. Essa é a trajetória do médico Maeterlink Rêgo, que entra para a literatura sob o título: “Maeterlinck Rego, doutor na vida e no futebol”. O seu “novo filho”, como ele mesmo descreve, nasce para o mundo no próximo dia 8, a partir das 18h, na sede social do América, clube pelo qual tem a incrível marca de 51 títulos e onde está há 48 anos, consagrando-se como o médico do esporte com o maior tempo em atividade no País. 

Em campo, com os filhos Márcio, Marcos e Marcelo, todos da comissão médica do Alvirrubro e com o troféu, de mais uma, entre as 51 conquistas, em 48 anos de clube 

O livro surge de uma parceria com o jornalista Rubens Lemos Filho, responsável pelo texto final e a quem Maeterlinck Rêgo narrou sua trajetória desde a infância até os dias atuais. “Maeterlinck foi um desafio. Delicioso. É um personagem da cidade, raríssimo, um homem com quase meio século no América. Tem mais taças conquistadas (51) do que os 48 anos de dedicação e amor ao clube”, explica Rubinho.

O médico americano explana vários temas e, também, rende homenagens aqueles que considera dois grandes expoentes de sua trajetória, pessoas que lhe deram a mão em momentos delicados da carreira e que ainda hoje, contam com sua gratidão. 

“Sebastião Leônidas foi o melhor treinador com o qual eu já trabalhei no América. Sua carreira sempre foi pautada pela lealdade e posso dizer que ele me ajudou muito dentro do América. O que para ele pode ter significado um pequeno gesto, para mim acabou sendo um fato determinante para continuar acreditando nas pessoas e conseguir tocando minha carreira dentro de um clube de futebol”, ressalta Maeterlinck Rego sobre um desses homenageados.

Nascido em Macau, Maeterlink veio fazer história em Natal 

Hélcio Xavier, o popular Jacaré, também mereceu um capítulo especial na obra da vida de Maeterlinck Rêgo. Para o médico americano, que ao longo do seu trabalho viu muitos jogadores diferenciados vestirem a camisa alvirrubra, Hélcio Jacaré é considerado pelo médico o melhor que ele teve a oportunidade de ver jogar.

“Na minha forma de ver futebol, acho que Hélcio Jacaré está no mesmo patamar de Alberi. Era um grande jogador de futebol, só que não teve muita sorte na carreira pelo fato de ter se machucado. Extremamente habilidoso, com uma visão de campo ímpar. Dava gosto de ver ele atuando. Esse tem de ser reverenciado por toda torcida do América, pois merece por tudo que fez pelo clube jamais pode ser esquecido”, salienta o médico alvirrubro.

A amizade entre os dois ficou ainda mais estreita quando o atacante sofreu uma contusão nos meniscos e, através do médico americano, que conhecia o doutor Lídio Toledo, um dos maiores expoentes da medicina esportiva no país, o atleta acabou sendo cirurgiado pelo médico do Botafogo.

“Hélcio sofreu a contusão em 1973, num jogo em Manaus contra o Nacional. Toledo com quem eu tinha feito um bom laço de amizade em minha época de residência em medicina esportiva, aceitou fazer a cirurgia no joelho do atleta, que ficou hospedado no apartamento que eu tinha alugado. Acompanhei de perto a luta que ele travou para poder voltar a jogar futebol. Lembro que naquela época, a cirurgia de menisco era considerada muito complicada e o tratamento exigia muita dedicação do atleta. Então foi nesse momento de dificuldade que surgiu esse grande laço de amizade”, frisou Maeterlinck.

Dilermano Machado, que abriu as portas do América para sua entrada, também faz parte desse seleto grupo de “notáveis” na carreira do médico.

Em campo, trabalhando como fez por 48 anos 

O jornalista Rubens Lemos Filho reforça detalhes importantes da personalidade de Maeterlink que são evidenciados a cada página da obra. “Descobrir o homem além do médico consagrado tornou-se uma lição de vida. Maeterlinck é um menino grande. Nele, a seriedade profissional e a irreverência tabelam direto ao gol”, explica. 

Polêmicas
O livro também não foge das polêmicas. Possui alguns pontos onde são revelados alguns bastidores daquilo que ocorre entre os dirigentes e a chefia do departamento médico, Em 48 anos de dedicação praticamente exclusiva ao América, Maeterlinck Rego só foi obrigado a se afastar do clube por um período de dez meses, por ter entrado em rota de colisão com o presidente da época: Jerônimo Melo (1999).

“Foram meses angustiantes para mim. Eu já estava habituado com a rotina dentro do futebol, trabalhando praticamente todo final de semana e o problema quebrou essa minha rotina, que gosto tanto. Lembro que o primeiro jogo que eu não fiquei no banco, depois de ter sido afastado pelo presidente foi contra o Vitória, no Machadão. De minha casa dava para ouvir o barulho da torcida comemorando gol no estádio. Era um vazio grande, então eu peguei meu filho coloquei no carro para dar uma volta e durante esse passeio chorei muito. É muito difícil dissociar minha vida e minha carreira do futebol”, afirmou.

Mas, fica claro que os momentos felizes e ricos prevalecem sobre os problemas. Maeterlinck Rego construiu um universo de boas amizades e o respeito adquirido ao longo de sua carreira, levou ele a ser nomeado coordenador médico da Fifa, em Natal, durante a realização da Copa de 2014.

“José Luiz Runco, coordenador médico da Seleção Brasileira, num dia de 2012, ligou para mim dizendo que havia indicado o meu nome para Fifa para ser o coordenador médico, em Natal, durante o período da Copa do Mundo. Eu é quem teria de traçar o plano de ação para colocar em prática durante o evento. Inicialmente tentei declinar da indicação, mas Runco manteve e com poucos dias veio um representante da Fifa aqui me entregar o caderno de encargos. Foi um trabalho muito cansativo, reconheço, mas também muito gratificante e que veio para marcar definitivamente a minha carreira como médico dentro do futebol”, ressaltou.

Ganhou respeito mundial como o de Jairzinho 

Rubens Lemos Filho também enfatiza a importância dessa construção de um cidadão que fundamentou seu sucesso profissional na ética e no respeito. “Há o cidadão solidário, pai de uma família exemplar. Toda a sua construção humana desde o nascimento em Macau passando pelas peladas, estudos, sacrifícios até o ápice na Copa do Mundo é uma lição de perseverança. Digo, sem favor, que este é o trabalho que mais me orgulha”, comentou. 

Entre esses momentos de boas lembranças está também a sua curta passagem pelo departamento médico do Alecrim, primeiro clube que trabalhou. Na época ele lembra que sequer havia concluído a residência médica, mas não declinou da oportunidade que estava sendo aberta.

“Severino Lopes foi quem me levou para o Alecrim. Era uma espécie de trabalho voluntário, já que até ser contratado pelo América, não recebia salário. Tanto que após eu comunicar que havia acertado com a diretoria americana para ser o responsável pelo departamento do clube, em 1971, um dos dirigentes do Alecrim que era dono de uma loja de roupas em Natal, me pagou com duas calças e duas camisas. Pode até não ser muita coisa, mas como era final do ano, ali eu garanti as roupas para o Natal e o Ano Novo”, recordou.

Atleta
O futebol na vida de Maeterlinck Rego não está restrito a atuação como médico. Ele que chegou a Natal com 6 anos de idade, em 1952, concluiu o ensino básico no Instituto Batista, como a família não possuía recursos para bancar o restante do ensino de segundo grau em um colégio particular, uma vez que naquela época a oferta de ensino público eram escassas para o ensino de segundo grau, ele revela que fez corpo mole para não ficar no Colégio Agrícola de Jundiaí, para onde foi levado pelo pai. Porém a porta da esperança voltou a abrir quando a delegacia do Ministério da Educação abriu uma espécie de vestibular para dar bolsas aos melhores alunos em colégios particulares.

Capa do livro que será lançado na quarta-feira 

“Eu não queria ficar no colégio agrícola, era longe e sentia muita saudade da família. Então não me esforcei muito para passar nas provas. Diferente dessa oportunidade do Ministério da Educação, monde consegui ser aprovado com uma boa nota e escolhi fazer o segundo grau no Colégio Marista. A exigência para manter a bolsa era que o aluno tivesse média sete em todas as matérias e assim eu fiz. Foi nessa época, em 1962 que fui convidado para jogar pelo Globo, onde cheguei a jogar pelo quadro de profissionais. Depois o clube acabou e fui para o Santa Cruz, mas como as minhas notas começaram a cair, meu pai apertou e resolvi não dar prosseguimento a carreira como jogador”, destacou.


Médico filho de Macau faz história no futebol Médico filho de Macau faz história no futebol Reviewed by Portal Macauense on 5/06/2019 12:59:00 PM Rating: 5

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